Mais da metade dos brasileiros empregados estão fazendo bicos para complementar renda

 Levantamento que analisou o impacto da inflação no País aponta a falta de reajuste salarial como um dos motivos que levam a população a buscar ganhos alternativos

Ter um emprego no Brasil, atualmente, pode ser considerado um privilégio por muitos, mas estar nessa condição não é sinal de tranquilidade financeira. Para conseguir sobreviver, 60% dos brasileiros empregados fazem algum tipo de bico para complementar a renda. É o que revela uma pesquisa da BARE International, que ouviu 1053 pessoas durante o mês de novembro para entender os impactos da alta inflação no consumo e no dia a dia. Ao todo, 76% afirmaram que estão empregados, sendo que mais da metade (56%) não tiveram qualquer reajuste salarial.

A gerente da Bare no Brasil, Tânia Alves, afirma que nem mesmo as economias de gastos estão sendo suficientes. “Em muitos aspectos, nesse período o brasileiro começou a poupar de itens essenciais, como alimentação e moradia, até aqueles menos importantes como entretenimento e serviços de estética. É, de certa forma, esperada essa necessidade de complementar a renda, já que os salários pouco mudaram e não acompanham a inflação”, explica.

O levantamento mostrou, por exemplo, que 76% dos brasileiros estão consumindo proteínas de menor valor. Carnes nobres como picanha e filé mignon já não aparecem no prato da maioria dos entrevistados (75% e 73%, respectivamente), enquanto 67% alegaram que não compram mais outros cortes de carne de boi.  O frango passou a ser a fonte mais consumida pela população (57%), seguido do ovo (19%), peixes, com exceção do salmão (15%), cortes menos nobres de boi (14%) e porco (6%). Já o consumo de filé mignon representa, atualmente, apenas 1% entre todas as proteínas, e a picanha e o salmão sequer alcançaram este percentual.

A pesquisa revela ainda que 89% dos entrevistados deixaram de consumir produtos e serviços por causa da alta dos preços. Os segmentos mais afetados foram viagens e vestuário, apontados por 69%. Quanto ao entretenimento, 68% da população cortou gastos com cinema, shows e teatro.

Freelancers crescem

Paralelamente ao crescimento dos bicos entre pessoas empregadas, o número de trabalhadores que atuam apenas como freelancers também aumentou consideravelmente neste ano. Outro levantamento, feito pela Closeer, startup que conecta empresas e trabalhadores que procuram jobs, mostrou que 64% dos freelancers aderiram ao modelo em 2021, sendo que 50% deles têm os freelas como única fonte de renda.

Muitos atribuem este cenário à pandemia, mas Walter Vieira, CEO da Closeer, lembra que os vínculos mais flexíveis de trabalho já eram tendência antes da chegada do vírus. “Essa modalidade não só permite maior liberdade, como também representa mais oportunidades e possibilidades de ganhos maiores aos trabalhadores. Por isso já havia se tornado a principal fonte de renda de muitos brasileiros. Com a pandemia, de fato, acabou se tornando uma opção para muitos, mas a tendência é que os autônomos continuem crescendo, por isso incentivamos que todos façam o registro da MEI, garantindo sua segurança previdenciária. Somente em nossa base de profissionais cadastrados no app, o crescimento foi de 60% em 2021”, afirma.

Baixe a pesquisa completa abaixo

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